Dengue em crianças: sintomas e quando ir ao médico

A dengue pode evoluir rapidamente em crianças. Reconhecer os sintomas cedo e saber quando buscar o médico faz toda a diferença. Entenda aqui, passo a passo, o que os pais precisam saber.

O que você vai aprender neste artigo

  • O que é dengue e por que crianças são mais vulneráveis

  • Sintomas por fase da doença e por faixa etária

  • Sinais de alerta que exigem ida imediata ao médico

  • Como o pediatra faz o diagnóstico

  • Cuidados em casa: o que fazer e o que evitar

  • Quando a criança precisa ser hospitalizada

  • Como proteger as crianças do Aedes aegypti

  • Respostas às perguntas mais frequentes dos pais

A dengue assusta qualquer pai ou mãe, e faz sentido. Nos últimos anos, o Brasil registrou surtos expressivos em todas as regiões, e as crianças são especialmente vulneráveis às formas mais graves da doença.

O problema é que, nos primeiros dias, os sintomas da dengue podem se confundir facilmente com os de outras infecções virais comuns na infância.

Saber o que observar, quando agir e quando ir ao pronto-socorro pode salvar a vida do seu filho. Neste artigo, o Dr. Joseph El-Mann, pediatra com mais de 25 anos de experiência no Rio de Janeiro, explica o que os pais precisam saber.

Dengue em crianças

O que é a dengue e por que crianças são mais vulneráveis

A dengue é uma doença viral transmitida pela picada da fêmea do Aedes aegypti infectada com um dos quatro sorotipos do vírus (DENV-1 a DENV-4). No Brasil, circulam principalmente os sorotipos 1, 2 e 3, o que aumenta o risco de infecção repetida ao longo da vida.

Em crianças, o sistema imunológico ainda está em formação. Por isso, elas podem evoluir para dengue grave com mais rapidez do que adultos, especialmente em uma segunda infecção por sorotipo diferente. Esse mecanismo, chamado de resposta imune heteróloga, potencializa a reação inflamatória e o risco de sangramento.

Além disso, bebês e crianças pequenas têm mais dificuldade de comunicar o que sentem, o que atrasa o reconhecimento dos sinais de alerta pelos pais e cuidadores.

Sintomas de dengue em crianças: o que observar em cada fase

Os sintomas da dengue costumam aparecer entre 4 e 10 dias após a picada do mosquito. O quadro clínico varia de acordo com a faixa etária e com a fase da doença.

Fase febril — primeiros 2 a 7 dias

É o período em que a doença se manifesta de forma mais intensa. Os sinais mais comuns são:

  • Febre alta e súbita, frequentemente acima de 39°C

  • Dor de cabeça intensa

  • Dor atrás dos olhos (dor retroorbitária), especialmente em crianças maiores

  • Dores no corpo, nos músculos e nas articulações

  • Prostração e irritabilidade (principalmente em bebês)

  • Manchas vermelhas na pele (exantema), que surgem geralmente a partir do 2° ou 3° dia

  • Náuseas e vômitos

Um ponto importante: crianças abaixo de 2 anos podem não apresentar dor típica. O que se vê, nesses casos, é choro excessivo, recusa alimentar e irritabilidade sem causa aparente. Atenção redobrada nesses casos.

Para entender o que fazer diante de uma criança com febre alta e súbita, vale conferir o artigo sobre febre no blog da clínica.

Fase crítica — por volta do 4° ao 6° dia

Quando a febre cede, muitos pais respiram aliviados. Mas é justamente nessa fase que a dengue pode se tornar mais perigosa. O vírus aumenta a permeabilidade dos vasos sanguíneos, causando extravasamento de plasma e risco de choque circulatório.

É nesse momento que os sinais de alerta precisam ser reconhecidos com urgência.

Fase de recuperação — após o 6° dia

Com o manejo correto, a maioria das crianças entra na fase de recuperação: os sintomas regridem, o apetite volta e a febre não retorna. Contudo, o acompanhamento médico deve continuar até a liberação pelo pediatra.

Sinais de alerta: quando ir imediatamente ao médico

Alguns sinais indicam que a dengue está evoluindo para a forma grave. Diante de qualquer um deles, leve a criança imediatamente ao serviço de saúde, sem esperar.

  • Dor abdominal intensa e contínua — dor forte na barriga que não passa

  • Vômitos persistentes — três ou mais episódios em seis horas

  • Sangramento: gengivas, nariz, urina, fezes ou manchas roxas na pele

  • Sonolência excessiva, dificuldade para acordar ou confusão mental

  • Mãos e pés frios, pele pálida ou azulada — sinais de choque

  • Ausência de urina por mais de 6 horas em lactentes e 8 horas em crianças maiores

  • Inchaço súbito no abdômen, face ou extremidades

O Ministério da Saúde classifica a dengue em quatro grupos (A, B, C e D). A presença de qualquer sinal de alerta enquadra a criança no grupo C, que requer hospitalização.

Como o pediatra faz o diagnóstico

O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame físico: início dos sintomas, progressão da febre, sintomas associados e exposição ao mosquito. Os exames laboratoriais mais usados são:

  • Hemograma completo: avalia plaquetas, leucócitos e hematócrito

  • NS1 (antígeno NS1): detecta o vírus nos primeiros dias da doença

  • Sorologia IgM/IgG: útil a partir do 5° dia para confirmar infecção recente ou anterior

  • RT-PCR: mais preciso, usado em casos graves ou investigação epidemiológica

A repetição do hemograma a cada 24 horas é fundamental para monitorar a queda de plaquetas e antecipar a fase crítica. O pediatra define a frequência dos exames conforme o grupo clínico da criança.

Cuidados em casa: o que fazer e o que evitar

Na maioria dos casos, a dengue sem sinais de alerta pode ser tratada em casa, com acompanhamento pediátrico próximo. Não existe medicamento antiviral específico para a dengue.

O que fazer

  • Hidratação oral generosa: água, soro caseiro, água de coco, sucos sem açúcar. Meta de pelo menos 60 ml/kg/dia.

  • Antitérmico correto: paracetamol ou dipirona, na dose indicada pelo pediatra para o peso da criança.

  • Repouso: sem atividades físicas durante a fase aguda.

  • Retorno ao médico: siga os retornos agendados para repetição do hemograma.

O que evitar

  • Ibuprofeno, AAS e anti-inflamatórios: aumentam o risco de sangramento. Proibidos na dengue.

  • Injeções intramusculares sem orientação médica, pelo mesmo motivo.

  • Automedicação: qualquer sintoma novo deve ser comunicado ao pediatra.

Quando a criança precisa ser hospitalizada

A hospitalização é indicada nos grupos C ou D do protocolo do Ministério da Saúde. Na prática, a criança precisa ser internada quando apresenta qualquer sinal de alerta, plaquetas abaixo de 100.000/mm³ com deterioração clínica, impossibilidade de hidratação oral, condições de risco associadas (lactentes, diabetes, imunossupressão) ou dengue grave confirmada.

Nesses casos, a criança recebe hidratação venosa supervisionada, monitoramento contínuo de sinais vitais e, quando necessário, suporte clínico adicional.

Prevenção: como proteger as crianças do Aedes aegypti

A melhor proteção é evitar a picada do mosquito. O Aedes aegypti pica principalmente durante o dia, com picos de atividade no início da manhã e no final da tarde.

  • Elimine focos de água parada: pratos de vasos, pneus velhos, calhas entupidas e recipientes abertos são os criadouros mais comuns.

  • Use repelente adequado para crianças: a partir dos 6 meses, com DEET (máx. 10%) ou Icaridina. Siga as orientações do rótulo.

  • Vista roupas de manga longa: especialmente ao amanhecer e ao entardecer.

  • Mantenha telas e mosquiteiros nos quartos: principalmente para bebês.

  • Feche caixas d’água e tambores com tampas adequadas.

A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que a prevenção coletiva da dengue em crianças depende também da participação de toda a comunidade: conversar com vizinhos, participar de mutirões de limpeza e denunciar focos ao serviço de vigilância sanitária.

Dengue em crianças

Dengue pode ser confundida com outras doenças?

Sim, e essa é uma das maiores dificuldades no diagnóstico precoce. No início, a dengue se parece muito com outras infecções virais comuns na infância. O pediatra é indispensável para diferenciar os quadros.

  • Zika e chikungunya: transmitidas pelo mesmo mosquito. A chikungunya causa dores nas articulações mais intensas; a zika, em crianças, tem menor repercussão clínica.

  • Influenza: causa febre alta e prostração similares, mas geralmente vem acompanhada de tosse e coriza, raros na dengue.

  • Leptospirose: importante diagnóstico diferencial em áreas com enchentes, em crianças com contato com lama ou água contaminada.

Só o médico pode fazer esse diagnóstico diferencial com segurança. Nunca trate a febre da criança por conta própria, especialmente em épocas de surto.

O papel do pediatra no acompanhamento da dengue

A dengue exige acompanhamento pediátrico desde o primeiro dia de febre, com retornos frequentes para reavaliação clínica e laboratorial. Não é uma doença para tratar sozinho em casa.

O Dr. Joseph El-Mann atende crianças com suspeita de dengue nas unidades da Barra da Tijuca e da Tijuca, no Rio de Janeiro. Se o seu filho apresentar qualquer um dos sinais descritos neste artigo, agende uma consulta e não espere os sintomas se agravarem.

Para conhecer mais sobre o acompanhamento pediátrico oferecido, confira os serviços da clínica.

Perguntas frequentes sobre dengue em crianças

  1. Meu filho tem febre há dois dias. Pode ser dengue?

Pode ser. Febre alta de início súbito é o principal sinal. Se houver dor de cabeça intensa, dor no corpo ou manchas na pele, leve ao pediatra para avaliação e hemograma.

  1. Posso dar dipirona para meu filho com dengue?

Sim. Dipirona e paracetamol são seguros para reduzir a febre na dengue. Evite sempre ibuprofeno e AAS, pois aumentam o risco de sangramento.

  1. A dengue tem vacina para crianças?

Existe a Qdenga, indicada a partir dos 4 anos. Converse com o pediatra sobre indicação e disponibilidade para o seu filho.

  1. Quanto tempo dura a dengue em crianças?

A fase aguda dura em média 5 a 7 dias. A recuperação completa, com retorno do ânimo e do apetite, leva mais alguns dias. Casos graves podem exigir internação por período maior.

  1. Quem teve dengue pode ter de novo?

Sim. A imunidade formada é sorotipo-específica. Quem foi infectado por um sorotipo pode ser infectado pelos outros três e, nesses casos, o risco de dengue grave é maior.

  1. Bebês podem ter dengue?

Sim. Bebês são especialmente vulneráveis e podem ter sintomas atípicos como choro excessivo e recusa alimentar. Qualquer suspeita em lactentes deve ser avaliada com urgência pelo pediatra.

A dengue em crianças é séria, mas manejável quando reconhecida a tempo. Observar os sintomas com atenção, não automedicar e manter o acompanhamento pediátrico são as três ações mais importantes que um pai ou mãe pode tomar.

Ficou com alguma dúvida? Entre em contato com a nossa clínica! Será um prazer ajudar você e seu filho.

Dr. Joseph El-Mann — Pediatra | Barra da Tijuca e Tijuca, Rio de Janeiro.

Instagram: @clinicadrjosephelmann | Site: www.elmann.com.br

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