Neste artigo, você vai aprender como identificar os primeiros sintomas da dengue em crianças, reconhecer os sinais de alerta que exigem atendimento imediato, entender as fases da doença e saber como proteger seu filho.
O Rio de Janeiro está em alerta. Com temperaturas elevadas, chuvas frequentes e a reintrodução de um sorotipo do vírus que muitas crianças nunca encontraram, 2026 aponta para uma temporada de dengue preocupante na cidade — e crianças estão entre os grupos que exigem mais atenção.
Se você mora no Rio e tem filhos pequenos, este artigo é para você. Aqui você vai entender por que a dengue é diferente e mais traiçoeira em crianças, quais são os sinais que indicam que a situação está piorando, o que fazer em cada fase — e quando correr para o pronto-socorro sem esperar.

Por que o Rio de Janeiro está em alerta em 2026?
Depois de um 2025 com queda expressiva nos casos, os especialistas estão de olho em 2026. Pesquisadores da Fiocruz e da FGV projetam que o Brasil pode chegar a 1,8 milhão de casos neste ano — impulsionado por três fatores que se somam de forma preocupante: o calor intenso, as chuvas que criam criadouros em toda parte, e a reintrodução do sorotipo 3 do vírus dengue, que esteve ausente por anos e ao qual grande parte da população — especialmente as crianças nascidas nos últimos 10 anos — não tem imunidade.
O Rio de Janeiro aparece nos estudos como um dos estados com maior risco de escalada de casos. Para os pais cariocas, isso significa que agora — no meio do inverno úmido e quente da cidade — é o momento de se preparar, não de relaxar.
A dengue em crianças é diferente da dengue nos adultos
Este é o ponto que mais gera confusão e, por isso, mais demora no diagnóstico.
Em adultos, a dengue costuma se apresentar de forma relativamente previsível: febre alta de início súbito, dor intensa atrás dos olhos, dores musculares e nas articulações, e às vezes manchas na pele.
Já em crianças — especialmente bebês e menores de 5 anos — os sintomas podem ser muito mais inespecíficos:
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Febre alta que parece “mais um resfriado”
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Irritabilidade e choro sem causa aparente
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Sonolência e recusa de alimentação
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Vômitos e diarreia
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Manchas avermelhadas na pele (que podem aparecer só depois de dias)
O problema é que esses sintomas se confundem com dezenas de outras infecções comuns da infância. E enquanto os pais aguardam para “ver se melhora”, a dengue pode estar evoluindo silenciosamente para a fase mais perigosa.
Crianças abaixo de 2 anos são consideradas grupo de risco e merecem atenção redobrada desde o primeiro dia de febre. Se você tem um bebê com febre alta em época de dengue no Rio, não espere: procure o pediatra já no primeiro ou segundo dia.
As três fases da dengue: entenda o que acontece no corpo da criança
Para reconhecer os sinais de alerta, é preciso entender como a dengue evolui. A doença tem três fases bem definidas, e o momento mais perigoso não é o começo — é quando a febre cai.
Fase febril (primeiros dias)
A febre aparece de forma súbita, geralmente alta (acima de 38,5°C), e pode durar de 2 a 7 dias. Em crianças, a febre elevada pode provocar aumento da frequência cardíaca e respiratória, sudorese intensa e risco de desidratação.
Nessa fase, o objetivo principal é manter a hidratação e controlar a febre com paracetamol ou dipirona — nunca com ibuprofeno ou aspirina, que aumentam o risco de sangramento.
Fase crítica (dias 3 a 7) — a mais perigosa
Aqui está o grande perigo: quando a febre começa a ceder, muitos pais pensam que o filho está melhorando. Mas é exatamente nesse momento que pode ocorrer o agravamento súbito da doença.
O vírus provoca extravasamento de plasma dos vasos sanguíneos, queda de plaquetas e risco de choque.
Estudos em pediatria mostram que a maioria das complicações graves em crianças ocorre nessa fase — frequentemente quando há uma falsa percepção de melhora. É nesse período que os sinais de alerta devem ser observados com máxima atenção.
Fase de recuperação (após o 7º dia)
Se a criança atravessou a fase crítica sem complicações, a recuperação costuma ser rápida. A febre não volta, as plaquetas sobem, e o estado geral melhora progressivamente. Ainda assim, repouso e hidratação seguem importantes até a recuperação completa.
Sinais de alerta: quando ir ao pronto-socorro imediatamente
Os sinais de alerta da dengue aparecem entre o 3º e o 7º dia da doença, geralmente quando a febre passa. Se você observar qualquer um dos sinais abaixo, não espere: vá direto ao pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).
Dor abdominal intensa e contínua — especialmente na região do fígado (lado direito do abdômen). Em crianças pequenas, se manifesta como choro inconsolável ao toque na barriga.
Vômitos repetidos — mais de três episódios em poucas horas, que impedem a hidratação adequada.
Sangramento — gengiva sangrando sem motivo, manchas roxas na pele (equimoses), sangue na urina, nas fezes ou no vômito. Qualquer sangramento em criança com dengue é emergência.
Queda brusca do estado geral — a criança que estava ativa fica de repente muito prostrada, não quer se mover, não reage normalmente aos estímulos.
Sonolência excessiva ou agitação intensa — dificuldade para acordar, olhos fundos, ou ao contrário, agitação e confusão mental.
Barriga inchada — acúmulo de líquido no abdômen (ascite), que pode ser visível ou percebido ao toque.
Extremidades frias ou pele úmida e pegajosa — sinal de que a circulação está comprometida, o que indica risco de choque.
Temperatura abaixo de 35°C — hipotermia em criança com dengue é sinal gravíssimo.
Regra de ouro para os pais: se a febre baixou mas o filho piorou, é emergência. Não espere o próximo dia para consultar.
Como identificar dengue em bebês que não falam
Essa é uma das situações mais angustiantes para os pais: o bebê tem febre, está diferente, mas não consegue dizer onde dói.
Fique atento a esses sinais comportamentais em bebês:
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Recusa o seio ou a mamadeira com insistência
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Está mais quieto e “mole” do que o habitual, ou ao contrário, inconsolável
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Urina menos — fraldas mais secas por mais de 6 a 8 horas indicam desidratação
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Choro ao toque no abdômen
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Olhos fundos e boca seca (sinais de desidratação)
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Não sorri, não interage como de costume
Em bebês menores de 2 anos com febre em época de dengue, a avaliação pelo pediatra deve acontecer nas primeiras 24 horas. Veja como agendar uma consulta na Clínica El-Mann.
O que fazer — e o que não fazer — quando a criança está com dengue
Faça:
Hidrate muito. Ofereça água, soro caseiro, água de coco, sucos diluídos e chás claros com frequência. A hidratação é o tratamento mais importante da dengue não complicada. Em crianças pequenas, ofereça líquidos em pequenas quantidades, com frequência.
Controle a febre com paracetamol ou dipirona, na dose correta para o peso da criança, conforme orientação do pediatra.
Mantenha repouso. Atividades físicas intensas durante a dengue aumentam o risco de sangramento e complicações.
Consulte o pediatra desde o início. Mesmo que pareça dengue leve, o acompanhamento médico permite detectar precocemente a piora. Leia mais sobre como funciona o acompanhamento pediátrico na nossa clínica.
Faça os exames solicitados. O hemograma seriado (especialmente após o 3º dia) é fundamental para monitorar o comportamento das plaquetas e do hematócrito.
Não faça:
Não dê ibuprofeno (Advil, Alivium) nem aspirina — esses anti-inflamatórios inibem a coagulação e aumentam muito o risco de sangramento na dengue.
Não dê antibióticos — a dengue é viral e não responde a antibióticos. Usá-los sem indicação só contribui para resistência bacteriana.
Não espere os sinais de alerta passarem sozinhos — ao contrário de uma gripe, a dengue pode evoluir para choque em poucas horas quando entra na fase crítica.
Não interrompa a hidratação mesmo que a criança esteja vomitando — ofereça colherzinhas ou seringa, pequenas quantidades de cada vez.
Dengue e vacina: o que os pais precisam saber em 2026
O Brasil é pioneiro na vacinação pública contra a dengue, e a situação evoluiu muito nos últimos anos. Atualmente, a vacina QDENGA está disponível no SUS prioritariamente para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em municípios de alto risco.
Além disso, o Instituto Butantan desenvolveu a primeira vacina brasileira contra a dengue — de dose única — com aprovação da Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos, e com eficácia de quase 75% contra a doença em geral e mais de 91% contra os casos graves.
Se seu filho está na faixa etária contemplada, verifique a disponibilidade nos postos de saúde do Rio de Janeiro. A vacinação não elimina a necessidade de vigilância dos sintomas, mas reduz significativamente o risco de formas graves. Converse com o pediatra sobre o calendário vacinal completo e atualizado da criança.
Como proteger seu filho do mosquito
A melhor forma de proteger a criança é evitar que ela seja picada — e reduzir os criadouros do mosquito ao redor da casa.
No ambiente:
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Elimine qualquer recipiente com água parada — pneus, pratos de vasos, calhas entupidas, tampas de garrafas
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Cubra caixas d’água e tonéis
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Troque a água do bebedouro dos pets diariamente
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Mantenha piscinas tratadas e tampadas quando não estiver em uso
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Verifique plantas que acumulam água (como bromélias) — use areia até a borda
Na criança:
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Use repelente adequado para a faixa etária e siga sempre a bula do produto — DEET é permitido a partir dos 2 anos; icaridina em concentrações menores (10% a 20%, linhas “Baby”) pode ser usada a partir dos 3 meses, enquanto formulações de 25% (proteção mais longa) são indicadas a partir dos 2 anos; o IR3535 é liberado a partir dos 6 meses
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Vista roupas leves de manga longa em ambientes com muito mosquito
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Use telas nas janelas e, se possível, mosquiteiros no berço
A Fiocruz e a FGV alertam que o controle dos criadouros é a medida mais eficaz para conter a epidemia — e que ela depende da ação coletiva de cada família.
Quando procurar o Dr. El-Mann
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Criança com febre alta por mais de 2 dias, especialmente se acompanhada de manchas na pele
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Bebê abaixo de 2 anos com qualquer febre em época de dengue
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Criança que teve dengue confirmada e apresentou qualquer dos sinais de alerta descritos neste artigo
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Dúvidas sobre o uso correto de repelente ou sobre a vacina
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Qualquer situação em que você, pai ou mãe, está com aquela sensação de que “algo não está certo” — confie no seu instinto e consulte
Não espere o quadro piorar. O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico adequado são o que fazem a diferença entre uma dengue que passa em casa e uma dengue que precisa de internação. Agende a consulta do seu filho.
Dr. Joseph El-Mann — Pediatra com mais de 25 anos de experiência, atendendo na Barra da Tijuca e na Tijuca, Rio de Janeiro. Ex-médico do Corpo de Bombeiros com vasta experiência em emergências pediátricas.
Siga @clinicadrjosephelmann no Instagram e conheça mais em www.elmann.com.br
FAQ
1. Quais são os primeiros sintomas da dengue em crianças?
Os sintomas podem incluir febre alta, irritabilidade, sonolência, recusa para se alimentar, vômitos, diarreia e manchas avermelhadas na pele. Em crianças pequenas, eles podem ser confundidos com outras infecções comuns.
2. Quando a dengue pode ficar mais grave?
O período de maior risco costuma ocorrer entre o 3º e o 7º dia da doença, justamente quando a febre começa a diminuir. É nessa fase que podem surgir complicações e sinais de alerta.
3. Quais são os sinais de alerta da dengue em crianças?
Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, sonolência excessiva, queda do estado geral, barriga inchada, extremidades frias e hipotermia são sinais que exigem atendimento médico imediato.
4. Bebês com dengue apresentam sintomas diferentes?
Sim. Como não conseguem dizer o que sentem, é importante observar sinais como recusa para mamar, pouca urina, choro persistente, olhos fundos, boca seca, sonolência ou irritabilidade incomuns.
5. O que fazer se meu filho estiver com suspeita de dengue?
Mantenha a criança bem hidratada, controle a febre com os medicamentos indicados pelo pediatra, incentive o repouso e procure avaliação médica desde o início dos sintomas.
6. Quais medicamentos não podem ser usados na dengue?
Ibuprofeno, aspirina e outros anti-inflamatórios devem ser evitados, pois aumentam o risco de sangramentos. Antibióticos também não devem ser utilizados sem indicação médica, já que a dengue é uma infecção viral.
7. Existe vacina contra a dengue para crianças?
Sim. Atualmente, a vacinação pelo SUS é destinada prioritariamente a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em municípios contemplados. A indicação pode variar conforme a disponibilidade e as orientações das autoridades de saúde.
8. Como proteger meu filho contra a dengue?
Eliminar água parada, usar repelente adequado para a idade, vestir roupas que cubram a pele, instalar telas nas janelas e manter o ambiente livre de criadouros do mosquito são medidas essenciais de prevenção.
9. Quando devo procurar um pediatra?
A avaliação médica é recomendada desde os primeiros dias de febre, especialmente em bebês menores de 2 anos, e deve ser imediata se a criança apresentar qualquer sinal de alerta ou piora do estado geral.
